A transposição das grandes artérias é a anomalia congênita em que as grandes artérias têm origem invertida dos ventrículos: a aorta, que deveria sair do ventrículo esquerdo, nasce do ventrículo direito enquanto a artéria pulmonar tem origem do ventrículo esquerdo.

Devido a troca da posição destas artérias a circulação acaba ocorrendo em paralelo levando a uma situação em que o sangue pobre em oxigênio, que chega no átrio direito é levado para a aorta e, o rico em oxigênio retorna aos pulmões. Conseqüentemente, o sangue que chega em todo o corpo acaba apresentando um baixo teor de oxigênio levando a importante cianose.

A maioria dos casos de transposição (80%) é considerada simples, isto é, o único defeito existente é a troca das artérias. Nos outros 20% dos casos podem existir defeitos associados como a comunicação interventricular, a obstrução ao fluxo pulmonar (estenose pulmonar) e a coartação da aorta.

No caso da transposição simples, é vital a existência de uma comunicação entre os átrios (CIA) o que permite que o sangue oxigenado que chega ao átrio esquerdo se misture com o do átrio direito e aumente a quantidade de oxigênio que chega na aorta. O tamanho desta comunicação interfere muito no quadro clínico do bebê nascido com transposição: quanto menor o orfício, menos oxigênio chega na aorta e mais cianótca fica a criança. O baixo teor de oxigênio no sangue leva a falência dos órgãos podendo culminar com o óbito. Nos casos de CIA pequena (restritiva), é necessária a sua rápida abertura. Esta é ralizada pelo cateterismo cardíaco que introduz um balão desinsuflado dentro do átrio esquerdo, enche-o de líquido e o trás abruptamente para o átrio direito, rasgando a parede entre os átrios, aumentando o orifício. Este procedimento é chamado atriosseptostomia e pode ser realizado dentro da própria UTI guiado pela ecocardiografia. É um procedimento salvador. A saturação de oxigênio, que nesta situação crítica encontra-se abaixo de 60%, sobe para níveis acima de 80%, permitindo a oferta apropriada de oxigênio aos órgãos vitais. Pela gravidade desta condição clínica, é muito importante que a transposição das grandes artérias seja diagnosticada ainda na vida fetal. Isto permite que o parto seja programado para um local que esteja preparado para atender o bebê logo após o nascimento, evitando que ele se mantenha com baixa oxigenação, o que pode deixar sequelas irreversíveis.

Embora a transposição das grandes artérias seja uma doença de alta gravidade, ela pode ser curada pela cirurgia cardíaca. A principal técnica cirúrgica para o tratamento desta anomalia foi realizada pela primeira vez com sucesso aqui no Brasil, pelo Dr. Adib Jatene, no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia. Esta cirurgia, chamada Operação de Jatene ou troca arterial, consiste na troca da posição das grandes artérias, colocando-as na posição normal. É uma cirurgia de grande porte pois além da troca da aorta com a artéria pulmonar é preciso que as artérias coronárias (aquelas que levam sangue para o próprio coração) sejam transpostas para o lado esquerdo que agora leva sangue para a aorta. Este é o passo mais difícil da operação pois qualquer redução do fluxo nestas pequenas artérias pode levar ao infarto do miocárdio, que dependendo da sua dimensão, pode ser fatal. Superados operação e período pós-operatório na UTI, existe uma perspectiva de vida muito próxima do normal para as crianças tratadas por esta técnica. Complicações pós-opertórias tardias como estreitamento nas artérias que foram trocadas (artérias pulmonar, coronárias e aorta) podem surgir ao longo do tempo. Por este motivo, estes pacientes necessitam de seguimento pós-operatório rotineiro para o resto da vida.

Algumas situações impedem que a o
peração de Jatene seja realizada. Crianças que chegam para cirurgia depois de um mês de idade ou que apresentam alguns defeitos associados podem requerer técnicas cirúrgicas outras para o tratamento da transposição como as cirurgias de Senning ou Rastelli, de acordo com cada caso.

As figuras ilustram de forma diagramática a transposição das grandes artérias e a Operação de Jatene:

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